Mil e uma palavras para conhecer antes de crescer...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A Viagem

A Bruxinha andava em limpezas e arrumações de primavera quando descobriu o velho baú da avó.
Lá dentro, entre muita tralha, encontrou, guardado no meio de um cadeixo, um mapa muito antigo, que desdobrou no chão da sala.

- Já viste, Gato, tantos lugares que ainda não conhecemos?
O Gato, deitado sobre uma almofada, abriu um olho e ronronou preguiçosamente...
- Já vi... vai acabar o sossego cá em casa.
- Não me digas que não te apetece viajar?
- Se eu te disser que não, que não tenho vontade nenhuma de sair desta almofada, desistes?
- Anda lá, não sejas preguiçoso. Há sítios fantásticos para descobrir.
- Ai, ai... vassoura, prepara-te! Vais ter trabalho... - Disse o Gato.
- Eu, pobre vassoura de séculos?
- Sim. Está decidido. Partimos de manhã cedo. - Disse a Bruxinha.
- Eu já não estou para viagens... as minhas costas estão dobradas de tanto carregar bagagens.
- Não te preocupes, vassourinha, vamos para Sul... sítios quentes bagagem mínima. - Disse a Bruxinha.
- E os teus livros?
- Desta vez levo só um, prometo!
- E tu, Gato?
- Eu levo o meu pelo de sempre e chega.
- Podemos ir um fim de semana, uma semana... o tempo que quisermos.
- Ai é? E tu julgas que estes tempos estão para viagens? - Pergunta a vassoura.
- Também não é preciso muito gimbo para percorrer o mundo numa vassoura...
- Dizes tu! - Diz a vassoura enfadada.
- Vou ter saudades de casa. - Avisou o Gato.
- A nossa casa é no meio dos livros. Qualquer biblioteca nos há de acolher.

E no dia seguinte, depois de fecharem as 374 janelas e a porta de casa, saíram navegando nuvens com o Gato empoleirado na ponta da vassoura, como um matalote no pélago, olhando o horizonte.
- Olha, o que é aquilo lá em baixo?
- Um leirão a correr.
- Vassoura, aterrra! - Pede o Gato, já a afiar os bigodes.
- Gato, deixa o pobre bicho em paz! Tu nem gostas de ratos... - Comentou a Bruxinha.
- Pois não... tens razão mas, por vezes, dá-me assim uma vontade de correr atrás de um...
A Bruxinha riu-se...
- Como se tu corresses... - Diz a vassoura entre dentes.
- Olha, uma praia! Vassoura, aterra!
- E então a história? - A história fica por aqui até ganhar asas e voar como um papagaio.

Sentada na praia, a Bruxinha desenha na areia.
Ainda a primavera vai a meio... o verão há de chegar... talvez regresse no outono. Talvez continue a viagem... sabe-se lá. O sul é tão grande, tão bonito e tão quente...
E ali ficou estendida a sentir o calor da areia e a ouvir o vento fazer trebelhos nas dunas enquanto lia “Histórias de Longe e de Perto”.

Histórias de Longe e de Perto

Texto: Sílvia Alves
Ilustrações: Maria del Toro (em breve)

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