Mil e uma palavras para conhecer antes de crescer...

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Vitória, vitória...


Era uma vez um país longe, uma cidade pequena, uma rua estreita, uma casa grande. Há quem diga que parece uma casa assombrada! Há quem diga que em tempos antigos morava lá uma simpática família. Dizem-se muitas coisas sobre casas grandes e antigas, sobretudo em pequenas cidades onde as pessoas ainda falam umas com as outras. Mas a verdade é que nessa casa, nesse lugar-perdido-em-sabe-se-lá-onde-um-pouco-em-tudo-e-nada-parecido-com-o-lugar-onde-cada-um-de-vós-vive, acontecem coisas triviais, coisas estranhas, coisas diversas da vida das casas, sobretudo daquelas que ainda têm biblioteca.
Vivem nessa casa uma Bruxinha e um Gato que passam grande parte dos dias a descobrir e a arrumar com sagacidade palavras, mesmo as mais escanifobéticas. Todas as palavras, mesmo as esquecidas são precisas para os pensamentos de toda a gente. E para as histórias que a Bruxinha e o Gato escrevem para um blogue que fez grande furor entre os miúdos e mais graúdos o “Sabe mais k(que) os teus Pais”.

Mas a verdade é que há muito tempo que ninguém via a Bruxinha e o Gato e nem havia novas histórias no blogue. O que teria acontecido?
Um feitiço mal feito a tinha adormecido.
Até que, num dia soalheiro, um raio de sol entrou pela janela percorreu o ar do quarto, foi fazer cócegas nas bochechinhas da Bruxinha e ela despertou.
As aranhas haviam tecido rendas em todos os cantos da casa.
O sol naquele dia conseguiu, finalmente, despertar a Bruxinha de um longo sono. Ela sentou-se na cama, bocejou, coçou a cabeça, espreguiçou-se, mexeu os dedos todos, pôs os pés no chão e deu uns passos. Um pouco tonta ainda abriu a janela e viu que muitas trepadeiras rodeavam a parede. Havia erva alta no jardim e abóboras enormes que não tinham sido colhidas.
De facto, aquele feitiço tinha corrido muito mal.
Mal saiu do quarto e os seus pés fizeram ranger ligeiramente a madeira do soalho apareceu o Gato a miar de contentamento.
- Bruxinha, acordaste!! Finalmente!! Estava farto de comer aranhas e ratos. Quando vais fazer-nos um jantar condigno?
A Bruxinha pegou no gato ao colo afagou-o, deu-lhe muitos beijinhos e disse baixinho: és mesmo tu, o meu gato guloso sempre a pensar em comida. Mais logo, Gatinho, preparo-te um belo jantar.
A Bruxinha desceu as escadas, abriu um pouco a porta da rua e respirou o ar quente e cheio de perfumes do jardim cheio de ervas e flores.
Depois foi à Biblioteca. As folhas de um velho calendário marcavam uma data. Sim, tinha passado muito tempo, demasiado tempo.
Na mesa estava ainda aberto o livro dos feitiços, na página daquela lista interminável de recomendações…  O velho livro dos feitiços avisava: se não fosse suficientemente hábil, a maldição do sono. Ela tinha sido demasiado apressada. Não leu tudo. Arriscou e correu mal. Aprendeu a lição. Da próxima vez iria ler tudo com muita atenção.
Mas agora havia outras coisas a fazer. Procurou na mesa um pequeno caderno, seguiu com o dedo a lista de nomes e parou no telefone do Paulo.
- Bruxinha, que bom ouvir-te! Há tanto tempo que não me dizias nada. Que te aconteceu? Vens à Feira?
-  À Feira?
- Sim, à Feira do Livro de Lisboa!!
- Oh, Paulo, não. Desta vez não, não consigo chegar a tempo. E tenho tantas, tantas coisas para fazer! Havemos de combinar encontra-nos noutra. Há muitas Feiras do Livro neste país. Mas mando-te palavras para cruzares com uma nova história. Beijinhos.
-  Amplexos e ósculos, Bruxinha, fico à espera. Vou já tratar das Palavras Cruzadas.
- Gato!! Anda vamos tomar o pequeno almoço e começar a tratar desta casa.
Sacudir e arejar a roupa, abrir todas as janelas para entrar a luz, dar tempo às aranhas de procurarem novos recantos no jardim. Mentalmente a Bruxinha fazia a sua lista de coisas urgentes. Tanto trabalho!
Por algum lado tinha de começar.
A Bruxinha foi até à casa das ferramentas e trouxe um engaço para abrir um carreiro entre os ramos de pilriteiros até ao portão. A caixa do correio devia estar a abarrotar.
O Gato ia atrás saltitando atrás dos gafanhotos.
- Não disseste que estavas farto de comer bichos?
- Farto de aranhas e ratos, os gafanhotos são crocantes e deliciosos!
- Coitados!
- Só apanho os que não são rápidos. Faço-lhes um favor.
Quando a Bruxinha chegou ao portão enquanto recolhia o amontoado de cartas que entupia a caixa do correio reparou que um pouco mais longe, num terreno que antes era baldio, havia agora uma vedação nova e lá dentro a despontar, muito alinhadas, pequenas plantas.
- Olha, Gato, temos novos vizinhos e são agricultores!
De facto viam-se pessoas a trabalhar na terra e, junto à vedação, saltitava uma menina seguida por um bando de pequenos patos.
- Olá! – disse a Bruxinha, acenando com a mão.
A menina parou, os patos continuaram a andar à volta dela.
- Olá! Eu vivo aqui nesta casa. Chamo-me Bruxinha e tu, como te chamas?
 - Vitória. - Disse a menina, um pouco tímida a olhar curiosa do outro lado da cerca.
- Lindo nome! Até qualquer dia, havemos de nos encontrar por aí.
E a menina continuou a saltitar com os patinhos atrás dela, com o seu sorriso feliz.
À hora do jantar diria aos pais, entre uma colher de sopa e outra como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Hoje encontrei uma Bruxinha!!
- A sério? – disse o pai - Que engraçado. Não sabia que já era época das Bruxinhas…
A Vitória olhou para o pai com um ar muito sério.
A mãe que estava a partir uma fatia de pão, olhou para ela e perguntou:
- E o que é que ela te disse?
- Nada.
 - Não lhe perguntaste onde mora?
- Claro que não! Eu sei onde é a casa dela.
Nesse momento bateram à porta. Era a Rosa, amiga dos pais, que chegava para tomar café.  A Vitória foi-lhe dar um abraço e a conversa continuou entre os crescidos enquanto a Vitória fazia desenhos.
Nessa noite, em casa da Bruxinha, depois do dia longo de limpezas e arrumações houve um belo jantar de peixe e sobremesa de mousse de chocolate. Coisas de fazer lamber os bigodes do Gato mais exigente. 
Estavam cansados. A azáfama ia continuar, no dia seguinte, bem cedo, com a monda do jardim. O senhor Aníbal ia trazer o arado para preparar a terra para a horta.
Estava uma bela primavera para despertar.
Vitória, Vitória… 
Lindo nome para fechar uma história. Mas agora era tempo de começar uma nova.
Já tinha o título. Em breve, começaria a escrever.
Bruxinha

Sabe Mais k(que) os teus Pais

Nota:
As palavras foram sugeridas pelo Anísio e pela Ana. Um casal com uma filha, a Vitória, que no verão de 2018 se mudou de Coimbra para Vidago. Trocaram uma vida de cidade pela vida no campo. Restauraram uma pequena casa de família. E tratam da terra com aquele carinho que faz nascer legumes e frutos, ao ritmo dos nove anos da Vitória que vai crescendo feliz no meio dos campos e na escola onde faz novos amigos.   

quinta-feira, 26 de março de 2020

Sinónimo de atenuar ou aliviar

Olá!

As Palavras Cruzadas aqui publicadas estão relacionadas com esta fase das nossas vidas... estamos quase todos em quarentena para que nos protejamos de um vírus.
Entrámos hoje numa fase de «mitigação», uma palavra "escanifobética" que designa uma evolução no combate ao coronavírus e à doença por ele causada, a COVID-19 (no enunciado destas Palavras Cruzadas, quando aparece a palavra "isto", com aspas, é porque estamos a referir-nos a esta doença).
E pronto, chega de conversa... esperamos que tudo corra bem para ti e para os teus... protege-te e fica em casa!

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Palavras Cruzadas Paulo Freixinho - Sabe Mais k(que) os teus Pais

Sugestão:
Liga aos teus avós (eles estão com muitas saudades tuas) e faz estas Palavras Cruzadas com eles (vão adorar!)...

Soluções do passatempo 151

HORIZONTAIS:
1- PAI. 3- ORAR. 6- NÓS. 7- AVE. 8- ANAGNOSTA. 11- DE. 12- OE. 13- MEL. 14- AIA. 15- LUAR.
VERTICAIS:
1- PÓNEIS. 2- ASA. 3- OVO. 4- RESMA. 5- REAL. 6- NADA. 7- ANEL. 9- GO. 10- TER.

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sábado, 1 de fevereiro de 2020

Pessoa que lê para os outros

Olá!

Hoje é o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta.
Sendo assim, achamos que a palavra "escanifobética" que serviu de base às Palavras Cruzadas aqui publicadas não poderia estar mais apropriada pois significa: pessoa que lê para os outros... será que os teus pais sabem esta?

Sugestão de leitura:
"Os livros que devoraram o meu pai", de Afonso Cruz (livro onde foi encontrada a palavra "escanifobética")

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Palavras Cruzadas Paulo Freixinho - Sabe Mais k(que) os teus Pais

Soluções do passatempo 147

HORIZONTAIS:
1- APUROS. 5- IA. 7- RI. 8- GD. 9- CONSPÍCUO. 13- ARE. 14- ADIAR. 15- TEIA. 16- LA.
VERTICAIS:
1- ARCAS. 2- PIOR. 3- RÃS. 4- SAÍDA. 5- IGUAL. 6- ADORA. 10- NET. 11- PAI. 12- CI.

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