Mil e uma palavras para conhecer antes de crescer...

domingo, 2 de outubro de 2011

Era uma vez uma casa…

Num país longe, numa cidade pequena, numa rua comprida e estreita, há uma casa.
Uma casa grande e antiga, cheia de janelas com portadas de madeira e altos telhados. Há quem diga que, em tempos antigos, era morada de uma simpática família. Há quem diga que era uma família estranha. Conta-se que, há uns anos, saiu de lá uma moça, com ar de bruxa, levando uma vassoura na mão, uma mala de viagem na outra e um gato debaixo do braço… Viram-na, pela manhã, sentada na paragem do autocarro e depois… Desapareceu. Ficou a casa de janelas fechadas. Diz quem passa, naquela rua comprida e estreita, que parece uma casa assombrada!

Dizem-se muitas coisas sobre casas antigas, grandes e abandonadas. Sobretudo em pequenas cidades onde as pessoas ainda falam umas com as outras.
Dizem que, há uns dias, ao lusco-fusco, naquela rua comprida e estreita, alguém viu uma moça, com ar de bruxa, levando uma vassoura na mão, uma mala de viagem na outra e um gato debaixo do braço.

Nem sempre se pode confiar no que dizem as pessoas mas desta vez têm razão. Há uma semana que as janelas estão abertas. A casa está habitada por uma bruxa moça e um velho gato. E tal podiam comprovar a D. Aurora que vende pão, o senhor Alfredo dos jornais, a menina Palmira da Loja da Fruta e até o senhor Aníbal, canalizador, que foi chamado para resolver o problema de uma tal inundação na casa que chegou aos livros das primeiras prateleiras da biblioteca.
Livros molhados, uma catástrofe! Aconteceu há três dias e, desde aí, não há mãos, nem patas, a medir. A Bruxinha e o gato apanham, secam e arrumam palavras.

História de Sílvia Alves para o blogue Sabe Mais k(que) os teus Pais
A Bruxinha e o gato apanham, secam e arrumam palavras.

- Já viste esta palavra, gato? “Uredo”… O que será?
- Hum…Podia ser o nome de um local.
- Será que existe algum local chamado “Uredo”?
- Se não existe podíamos inventá-lo. Inventar uma língua, criar uma moeda, arranjar trabalho para os seus habitantes… Escolher um governo… Chuva suficiente para um rio… Construir uma ponte, escolas…

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- Será que existe algum local chamado “Uredo”?

- Ui, que trabalheira! Era preciso fazer grandes contas para saber quanto custaria tudo. É melhor pensares em algo mais simples, gato... E se fosse o nome de uma pessoa?
- “Uredo”? Nome de pessoa? Seria uma pessoa horrível!
- E se fosse um instrumento?… Imagina o aspeto. E o som que faria...

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- E se fosse um instrumento?… 

O gato sobe a escada abre um livro grande e gordo e diz, ufano:
- Olha, Bruxinha, já sei! Segundo o dicionário a palavra “uredo” é útil para gatos com pulgas e miúdos com piolhos.
- Ora, logo duas coisas que não temos cá em casa, disse a Bruxinha sem titubear.
- Eu não tenho tanta certeza… Com este “uredo” atrás da minha orelha…
A Bruxinha riu-se e continuaram a recolher e a secar todas as palavras.
- Ufa! Que canseira! E que fome! Vou fazer o jantar. Hoje temos convidados.
- Vamos ter convidados? Quem?
- O senhor Aníbal. Ele foi tão simpático a reparar a torneira estragada que o convidei para um jantar. Vai trazer a família. Vamos ser sete comensais.
- Hum… E o que vais fazer para sobremesa?
- Ora, já sei que farias um escarcéu se não houvesse bolo de chocolate.
-Miau!!
- Mas só podes comer uma fatia. Não quero que fiques um gato anafado.
- Eu, gordo? - Não fico nada. Tu colocaste os dicionários numa estante tão alta que todos os dias faço exercício a subir e a descer escadas na biblioteca.
- Foi mesmo por isso que pus os dicionários lá em cima! Para tu fazeres exercício, meu gatinho gordo.

Sabe Mais k(que) os teus Pais
Não quero que fiques um gato anafado.

(continua)...
Texto: Sílvia Alves
Ilustrações: Maria del Toro

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